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Se vestir de mar

11 de mai. de 2023
2 min de leitura

Em Março de 2022 eu e Matheusa fomos até uma ilha para mapear uma possível localização de uma performance que gostaríamos de realizar. Naquele período nós estávamos no início de nossas investigações sobre a nossa conexão com o mar. Entre andanças pela ilha, ideias foram sendo levantadas para a execução daquele trabalho e uma delas foi em relação ao que iríamos vestir para a performance. A partir da paisagem da ilha e das trocas que estabelecemos com o lugar, uma pergunta me ocorreu para poder pensar a ideia da vestimenta.


De que forma poderíamos nos vestir de mar?


Esse trabalho não foi possível de ser realizado por diversos fatores, porém as conversas que tivemos em volta dele permaneceram ao longo do ano e agora durante a residência, tivemos a oportunidade de esmiuçar os desejos que nos moveram e de que maneira poderíamos utilizá-los como fonte para outros trabalhos. Com o intuito de realizar uma série fotográfica para o projeto, o questionamento do que iríamos vestir voltou e a pergunta que tinha sido feita lá atrás nos moveu a pensar a relação que temos com as nossas águas internas e com a paisagem atual da residência em Nova Almeida. Dessa forma, fomos juntando os elementos materiais e visuais que encontramos na praia e na beira do rio, assim como os elementos emocionais que nos formam enquanto pessoas que fazem parte do mesmo elemento do zodíaco (Matheusa é pisciana e eu canceriana), mas que navegam por águas distintas. Daí, encontramos nossa complementaridade - yin yang, rio e mar, dia e noite, azul e branco.



Falar de cada detalhe de como construímos essa roupa desde a escolha das cores e dos tecidos, até o posicionamento dos contrastes levaria muitas palavras pra descrever um processo que foi construído durante meses e devo dizer até anos porque nosso desejo foi de vestir o mar como um espelho de quem somos, e para isso, o conhecimento de si foi fundamental. Nós conversamos muito sobre nossos jeitos, nossas formas de ver a vida e os relacionamentos, nossa família e nossa infância. Tudo isso esteve presente na construção dessas peças e continua presente em nosso dia a dia.



No final do dia de construção das peças, fomos à praia para tirar algumas fotos vestindo as roupas e fomos tomadas pela lua cheia que apareceu entre as nuvens com um brilho tão forte que fez quase parecer dia. Continuamos aprendendo sobre o tempo, sobre o mar e os elementos vivendo juntamente com eles e desejando cada vez mais se aproximar de sua essência.



Jaíne Muniz


 
 
 

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